Desculpas...

Gosto de pensar que existe a palavra "desculpa"...
E gosto de a ver com o seu verdadeiro sentido, sendo ele o sentido de expressão de arrependimento.
O facto de podermos olhar para o passado (mais remoto ou mais recente) de forma crítica e admitirmos que mudamos de opinião ou de atitude, não faz de nós seres menores.
Acredito, pelo contrário, que o reconhecimento de que se esteve mal num determinado momento, podendo retratar-se e pedir desculpas é demonstrativo de uma grande nobreza de espírito!
Não quer dizer que se possa fazer disto um hábito e que a palavra "desculpa" nos sirva para nos permitir tudo apenas porque, mais tarde, teremos sempre a possibilidade de pedir desculpas.
Uma vez que acredito que o erro deverá ser uma exceção pelo que, consequentemente, também a desculpa deverá ser exceção.

Há quem diga que "as desculpas não se pedem, evitam-se!"
É uma frase feita, e como tal, vale o que vale. Numa primeira leitura, discordo totalmente desta frase, pois se defendo que todos têm o direito de se retratarem e de se arrependerem, pedido desculpas, não posso defender que se evitem as desculpas...
Mas ao ler as "entrelinhas" da frase, não posso deixar de concordar, porque o que devemos procurar evitar são as situações que levam ao pedido de desculpas e, por isso, evitando-se essas situações, também se evitam várias desculpas!

E em conclusão, simplesmente porque me apetece, deixo este registo:
"Situações" que não devem ser evitadas, de forma alguma, são aquelas que vão sendo descritas nos papelinhos amarelos! Não há desculpas! :-)

Lágrimas de alegria!

É, realmente, das melhores coisas que a vida tem:
- Podermos chorar lágrimas de alegria!
Não acontece muito frequentemente mas, se acontece, há que registar, para mais tarde recordar...
Hoje foi um daqueles dias em que só o tom de voz do outro lado do telefone me fez chorar lágrimas de alegria. Não há nada como trazer euforia para pequenos momentos, nada como exagerar na alegria das pequenas coisas, nada como festejar o dom da vida e viver intensamente!
Desta vez faço um registo num papelinho amarelo para partilhar aquilo que tenho adotado como princípio para viver: não acho que devamos viver a vida dos outros, mas se há alegria nos outros, por que não partilhá-la, e também vivê-la? Apesar de não viver a vida dos outros, entendo que vale a pena viver as alegrias daqueles de quem gostamos, por que não? Dá-nos energia!
Como filosofia de vida, defendo que devemos exagerar nas alegrias, nos bons momentos, transformar as pequenas boas coisas em grandes acontecimentos e viver intensamente!´
Em contraponto, defendo também que não devemos dar importância a tristezas, nem aos maus momentos - se são maus, para quê prolongar? Há que "chutar para canto" e seguir para a frente sem dar mais importância do que aquela que tem! Tratar com respeito, aprender com eles, mas desvalorizar e colocar no compartimento ao lado do esquecimento.
Por isso hoje é um grande dia, um dia em que chorei lágrimas de alegria! E quando parecia que as lágrimas estavam a chegar aos olhos, deixei-me ir e chorei e ri ao mesmo tempo - é tão bom!

Tutear

Os nossos vizinhos espanhóis já há tempos que usam esta expressão maravilhosa: - "Te puedo tutear?"
Nós, por cá, parecemos não estar muito familiarizados com o tratamento na 2ª pessoa, apesar de ser das primeiras coisas que aprendemos na escola: Eu, Tu, Ele, Nós, Vós, Eles.
Foi com satisfação que descobri que "tutear" está também nos dicionários portugueses:
É isso, tutear significa tratar por tu, isto é, tratar alguém por tu.
Por isso, a todo o momento, podemos abordar os nossos interlocutores, com todo o deferimento e respeito e questionar: "podemos tutear?"
 
Aproveito também esta anotação num papelinho amarelo para deixar este desabafo:"você" soa muito bem no português do brasil; em todas as telenovelas e músicas brasileiras, o "você" está presente. E talvez seja por isso que nos influencia tanto!
Contudo, cá em Portugal, soa muito mal o tratamento por "você"... pelo menos a mim, soa-me muito mal. Temos a hipótese de saber o nome da pessoa, e então diremos: "a Marta acha que...", em vez de dizermos "Você acha que", ou então, nos casos em que não sabemos o nome da pessoa, podemos sempre dizer "a senhora acha que", embora possa ser catita dizer "a menina acha que" (mesmo quando se trata de uma pessoa com 80 anos, porque vai sempre achar alguma graça ao tratamento por menina... quem não gosta?).
Depois, e para complicar, há ainda os doutores, engenheiros, arquitetos (e não sei se mais algum tipo de tratamento específico)... soa tão mal tratar apenas por "oh doutora". Quando se usam estes títulos, será quando é necessária alguma cortesia, portanto, para manter essa cortesia, faz sentido acompanhar o título do respetivo nome da pessoa. É triste querer ser cortês sem sequer ter a cortesia de saber o nome do doutor, engenheiro ou arquiteto com quem estamos a falar...
É por estas e por outras que tutear simplifica imenso!
Sou fervorosa adepta de tutear, desde que com o mesmo deferimento e respeito que teríamos se optássemos por um tratamento mais formal. Fica esta reflexão num qualquer papelinho amarelo...
tutear - conjugação
verbo transitivo
tratar por tu
verbo pronominal
tratar-se por tu com alguém
(De tu+t+-ear)


tutear In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. [Consult. 2013-06-30].
Disponível na www: http://www.infopedia.pt/lingua-portuguesa/tutear

 

Santos populares

Este ano, Junho foi mesmo o mês dos Santos Populares!
Não me recordo de algum outro ano ter sentido que o Santo António, o São João e o São Pedro me convidavam com tanta insistência a participar nas suas festas!
Posso dizer que, o que mais interessante teve este período dos santos populares, foi descobrir que, entre a "população", podem surgir alguns "santos" que nos fazem:
- sair do sofá e comprovar que a vida começa além do sofá!
- sermos mais fortes do que as nossas melhores desculpas!
Este ano dedico o Santo António a quem conseguiu pôr-me a comer sardinhas à meia-noite! Muito obrigada, foi um belo serão. Agradeço a iniciativa e o desafio quando não estava nada planeado (é tão giro quando somos positivamente surpreendidos pelo inesperado) e a todos os que se juntaram a nós para melhorar os festejos! Houve comemoração de Santo António, apesar de não haver feriado de Santo António... Haja energia!
Dedico o São João deste ano a quem conseguiu que tudo corresse bem quando se temia que pudesse ser a maior confusão de todos os tempos! É incrível como tudo correu realmente bem! Gosto de ver que apesar de, depois de um dia com imensos quilómetros no corpo, ainda conseguiram proporcionar-me uma noitada de S. João das melhores que tive! Tudo correu bem, desde o estacionamento, ao belo do jantar, enfim.... tudo o que merecíamos e ainda mais! Muito obrigada e, mais uma vez, haja energia!
Um grande obrigada às pessoas que se atrevem a entrar na minha vida! E coragem para se manterem, eu sou exigente e além disso, tenho aquele feitio... :-)
Belo Junho e vivam os "santos" que se descobrem entre os "populares"!

Homenagem à loucura

Atraio malucos...
Parece que foi esta a conclusão!
É muito curioso porque, à partida, parece um comentário um pouco depreciativo.
Mas, se quando comentamos isto com alguém - atraio malucos - nos dizem: "tu também és bastante maluca" -
 parece que tudo muda!
Das duas, uma: ou soa ainda mais depreciativo, porque afinal sou louca, maluca, tenho um parafuso a menos, não bato bem da bola, ou então, é um alerta para parar e pensar: isto pode não ser necessariamente mau!
Ora, a loucura pode ser uma característica muito positiva! Sem um pouco de loucura, nunca arriscamos nada, nunca saímos da famosa "zona de conforto", sem um pouco de loucura, nunca quereriamos fazer algo de diferente e render-nos-iamos às evidências do normal e estático, do passivo e indiferente... ficavamos na média, no mediano, no mais ou menos.
Quando se tem um auto-conceito de "mais ou menos", parece-me que se pode considerar um grande elogio se nos dizem que somos um pouco loucos! Quer dizer que, afinal, não somos apenas "mais ou menos"! Quer dizer que arriscamos, quer dizer que ultrapassamos as barreiras da normalidade, quer dizer que procuramos a diferença, o novo, o desconhecido, o "outside the box"...
Estou fartinha de ler em diversos livros e revistas que isso é valorizado!
Sendo assim, parece-me que ser louco tem muito mais de bom do que de mau!
Lamento, mas tenho que considerar que as maravilhosas pessoas que me rodeiam e que eu conheço têm também alguma loucura ou, de outra forma, nunca me aturariam!
- Caros loucos que me rodeiam, muito obrigada por partilharem comigo todas as vossas loucuras e por se rirem e se divertirem com as minhas... É sempre desafiante conviver com a loucura! Muito obrigada!

"Não tenho tempo..."

Quantas vezes ouvimos isto?
"Nâo tenho tempo..."
Quantas vezes por mês? Quantas vezes por semana? Quantas vezes por dia?
Quantas pessoas repetem esta frase: "Não tenho tempo..."
Ou até acrescentam (sempre muito bem intencionadas): "Eu gostava de fazer isso mas, infelizmente, não tenho tempo!"
E depois há algumas variantes que vão dar ao mesmo: "ainda não tive tempo", "mas eu ainda não parei", "tenho andado a mil", "agora tenho muito que fazer", "agora não dá"...
Ou ainda outras variantes que podem ser chamadas de pontapé para a frente como por exemplo: "quando tiver tempo", "quando passar esta fase em que, de facto, estou com uma sobrecarga grande", "agora tenho mesmo que fazer isto e não tenho tempo para mais nada"...

Enfim...
Parecem-me frases recorrentes em várias pessoas que nos rodeiam.
Eu já ouvi estas frases na primeira pessoa e estou convencida que, também eu, já as proferi... hoje em dia, fujo a sete pés deste tipo de frases.
Contudo, como são frases que estão na moda, receio que alguma vez me possa escapar uma frase destas, que justifico por efeito de contágio!

Posto isto, tenho uma declaração a fazer:
- ADORO pessoas que, de facto, não têm tempo! Pois são aquelas que arranjam sempre um tempinho para mais alguma coisa!
- E DETESTO pessoas que dizem que não têm tempo! Porque acredito que, esta, seja uma forma de se queixarem da vida que têm, sem que ainda tenham percebido que essa triste vida se deve ao facto de estarem tão "embrulhadas" no rodopio de tarefas, sem conseguirem distinguir o que é realmente importante para elas!

Além desta declaração, gostaria de transmitir uma novidade:
- TODOS TEMOS OS MESMO TEMPO!
Novo?
Parece novo?
É mesmo uma novidade!
Deus Nosso Senhor Jesus Cristo, ou seja lá quem for, Ele ou Ela, ou a força maior, ou alguém no passado estipulou que o dia teria vinte e quatro horas e que isso corresponde a uma volta da Terra sobre si própria, aprende-se em Geografia (no ensino obrigatório) que é o movimento de rotação da Terra!
Ora, estamos todos neste carrocel... Todos os dias, todos nós, damos uma voltinha em 24 horas!!!
Incrível, não é?
É mesmo incrível!
Todas as pessoas a darem a mesma voltinha... aquelas que dizem que não têm tempo, as que, de facto, não têm tempo, e também todas as outras!
É certo que a latitude nos pode trazer mais ou menos horas de luminosidade, mas as circunstâncias/os contextos também nos ensinam a viver com isso e a adaptar as nossas vidas ao meio ambiente. Desenvolvemo-nos através da nossa adaptação ao meio ambiente - e não sou eu que digo, é o jovem Darwin!

Bem, parece-me que já chega de repetir essas frases do "Não tenho tempo"!
Está na altura de parar com esta desculpa!
Sim, desculpa... desculpa para continuar sem parar para pensar no que é realmente importante e definir prioridades!
Tu tens o mesmo tempo que eu tenho.
Todo temos o mesmo tempo!
Parece-me mesmo que a resolução passa por parar e pensar no que é mais importante e hierarquizar as prioridades, de modo a afectar o nosso tempo de forma coerente e consistente com aquelas que são as nossas prioridades.
De outra forma, que sentido poderá ter a vida?